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Meu Diário

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Eu em toda complexidade de meu ser até os 18 anos jamais imaginei ter um diário. 
Minha irmã tinha um que eu por vezes abri com um palito de fósforo e li ( coisa horrorosa de se fazer). Não, não era vocação pra ladra isso garanto. 
Era muito legal saber daquilo que ninguém mais sabia além das páginas adornadas de um pequeno diário;  e como eu amava ler juntava-se assim a fome com a vontade de comer.
Acredito que a facilidade em abrir o diário de minha irmã e ler seus segredos foi um dos motivos de eu não ter tido um diário até ter maturidade pra tê-lo ...
Eu torturei minha irmã lendo tudo q ela escrevia ( e olha q ela levava a chave no pescoço). Tadinha tinha uma curiosa dentro de casa.
Quando fui escrever em meu diário pela primeira vez, aos 18 anos de idade,  pensei no diário de minha irmã com seu cadeadozinho, a inicial da pessoa amada que era muito fácil de compreender. Uma linguagem simples demais até pra uma criança de 10 anos. Então resolvi que meu diário não teria cadeado e quem quisesse teria acesso á ele tranquilamente. E assim o fiz!
Peguei uma  agenda e a cada dia escrevia as coisas mais especiais que me aconteciam, falava sobre meu estado de espírito, meus amigos, minha família, minhas crises existenciais , meus amores...
Meus maiores segredos estavam todos em um único lugar e ao alcance das mãos de todos os colegas e amigos ( q não eram poucos).
Todo mundo abria, espiava,  lia duas ou três páginas e desistia, pois era complexo demais pra se perder tempo tentando decifrar...
Ele era como um enigma e o cadeado das palavras era bem mais seguro que o de ferro que se abria com um simples palito de fósforos ou que o cofre mais seguro do universo.
Três anos se passaram e eu volúvel que sou dei ao diário o fim que dei a todos os meus textos e livros escritos. Fiz uma linda fogueirinha á frente de casa e esperei que virasse cinza. Alguém diria que tenho espírito de incendiária, mas lhes asseguro que não! Apenas os julguei  ultrapassados e considerei que pouco perdi queimando-os, afinal não tinham mais utilidade já que havia amadurecido um pouco mais.
Sabe, eu acho que tem um Q em um diário de tristeza, de decepção, de mágoa, de dor e de alegria também, mas essa última não se tem maior recordação e não causam o mesmo efeito que aquelas ao serem relidas.
Meu diário não existe mais e meus segredos ( se é que os tenho) estão bem protegidos, pra quem sabe futuramente lançá-los em forma de texto á quem queira decifrá-los.
Gi Barbosa 

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